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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Folhas de fichário


Dizem que, antigamente, as meninas colecionavam papel de carta. Eu nunca vi um papel de carta, aliás, mal sei o que é uma carta (exceto boletos do plano de saúde e similares, é claro), mas imagino que esse lendário hábito deva ter alguma semelhança com o que algumas pessoas (eu inclusive) faziam lá pelos idos anos 2000... colecionar folhas de fichário.


Quando cheguei à 5ª série, meu objetivo de vida era usar fichário, porque fichário era o suprassumo do descolado e adulto e também porque até a 4ª série a gente era avisado no começo do ano de que era proibido usar fichário. E junto com esse maravilhoso mundo novo dos fichários, uma ampla gama de possibilidades. Afinal, as papelarias ofereciam os mais esdrúxulos adornados modelos de folhas de fichário, em um mundo de cores e temas diferenciados. Isso, claro, se você tivesse dinheiro pra comprar algo diferente daqueles modelos brancos básicos da Tilibra (ou, pior, da São Domingos).


Tinha pra todos os gostos mas, obviamente, o grande alvo eram as meninas, que adoravam coisas fofas e cheias de bichinhos, flores, lacinhos e tudo o mais. Até modelo da revista Atrevida tinha!


E haja Hello Kitty, Mickey e Ursinho Pooh, de preferência em cores diferentes pra diferenciar uma matéria da outra:


 

 

 

Turma da Mônica não podia faltar, claro:


 


Agora, vejam que mimo essa folha preta dos Looney Tunes, na qual você tinha que escrever com canetas prateadas ou douradas que custavam os olhos da cara:


Mas, se você não fosse tão lunático assim, podia comprar uma versão mais normal:


Reparem também nessa outra pérola. Folha de fichário do Leonardo. Sim, o "cantor":


Mas as minhas favoritas mesmo eram as folhas do South Park, que mostravam os personagens travestidos, vomitando, caindo de bêbados, transformados em lobisomem e situações igualmente adequadas a um contexto educacional:



Tanto eram minhas folhas favoritas que foram as que eu usei por mais tempo. Dois ou três anos, se não me engano, até que parou de chegar na papelaria que era do outro lado da cidade, diga-se de passagem ao módico preço de R$3,50 (e isso era muito, considerando o preço da coxinha na cantina da escola, na época, calculo que deveria ser uns R$10 em valores atuais).

Até achei uma folha com algumas questões de Geografia!

- Por que se faz queimada na Amazônia? 
- Para se controlar as ervas daninhas, ora!








Mini-revista Mulan - Mc Donald's

Em Julho de 1998, época do lançamento do filme Mulan no Brasil, o Mc Donald's lançou uma coleção com quatro mini-revistas baseadas no filme. Na compra de cada Mc Lanche feliz, uma mini-revista com quadrinhos, curiosidades e passatempos vinha como brinde.

Fique registrado que esse brinde é uma recordação da primeira vez que eu fui a São Paulo e a primeira vez que eu fui a um Mc Donald's. Sim, pra uma criança de oito anos do interior de São Paulo, era um sonho finalmente ir a São Paulo, comer o Mc Donald's, visitar o Parque da Mônica, o bairro da Liberdade, andar de metrô e encontrar artistas de televisão na rua.

Fui a São Paulo.

Os funcionários do hotel disseram que o Parque da Mônica ficava em São Bernardo do Campo e nós não fomos.

Não acostumados às distâncias em São Paulo, meus pais e eu achamos que já tínhamos chegado à Liberdade antes de realmente chegar ao bairro, não achamos graça e fomos embora.

Minha cabeça de criança ignorou que São Paulo tinha milhões de habitantes e que encontrar artistas na rua não era algo que acontecesse todo dia.

Andrei de metrô.

Comi no Mc Donald's.

E guardei a revistinha.